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Dias de Outono

E outros também.

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Fogaça

12.10.20 | Silêncios

 

 

Post originalmente publicado, em 15-06-2016

 

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A Fogaça é um pão doce português muito agradável... Que não se fica já apenas por este "formato!"


 


Em 1505 os Condes do Castelo e da Feira, ramo nobre criado em 14 de Janeiro de 1452 conjuntamente com o povo, apelaram ao Mártir S. Sebastião, para que acabasse com o morticínio dos Feirenses, prometendo-lhes a realização de uma festa anual, onde o "voto" seria a "fogaça", acreditando que a intervenção divina acabaria com a peste que dizimava a população.

Até 1700 - data em que o Condado do Castelo e da Feira se extinguiu por falta de descendência, passando os seus domínios para a "Casa do Infantado" - a "Festa das Fogaceiras" foi promovida pelos senhores das Terras de Santa Maria da Feira, habitantes do paço intra-muros do Castelo. 

Na altura os Condes do Castelo da Feira, estipularam uma renda anual de 30 mil reis, para que a festa se realizasse e ao longo da nossa história, a sua organização foi passando de mão em mão, até aos dias de hoje... em que é organizada pela autarquia da Santa Maria da Feira.

 

Doces De Festa | Doces Regionais - Página 24 | Ideias, Receitas, Receitas  portuguesas

 

E todos os dias 20 de Janeiro cumpre-se o voto. Meninas, vestidas de branco, - a quem chamam as Fogaçeiras -, transportam fogaças à cabeça até à igreja matriz, para oferecer ao mártir o doce da promessa em sinal de agradecimento.


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O doce tornou-se símbolo de uma região e a receita, é honrada à letra. A fogaça, com os quatro coruchéus do castelo no topo, continua a sair do forno como manda a tradição, mas já não é apenas um doce "simples."

A sua variedade e combinações, deriva hoje (também) da fonte de inspiração de vários chefs e não só, estendendo-se por inúmeras outras receitas, que dela derivam e fazem as delícias de todos, em qualquer parte.  

 

Fogaças de Alcochete

que também podem ter o formato de peixe

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Mas a fogaça não se fica por terras se Santa Maria. Ela marca a tradição também em terras de Alcochete (relacionada com o Círio dos Marítimos - Festa Pascal) que teria origem na  promessa dos barqueiros de Alcochete à Senhora da Atalaia, após salvamento no mar. 

O Círio de Nossa Senhora da Atalaia, no entanto, ter-se-á iniciado no ano de 1507 organizado pela Confraria dos Oficiais da Alfândega de Lisboa, que se reuniam para pedir à Senhora, defesa para a Peste que alastrava na capital e que matava, até cinquenta pessoas, por dia. 

 

Fogaça, Palmela - YouTube

 

Em Palmela - A fogaça homenageia Santo Amaro. De acordo com a tradição, os biscoitos eram oferecidos ao Santo como pagamento de promessas e pedido de protecção para a saúde, as colheitas e o gado.

 

 


Receita



Para o Fermento:

200 g Farinha T55

120 ml de água morna

50 g Fermento fresco de padeiro


Para a Massa:


600 g de farinha T55

150 g de açúcar

10 g de sal

120 g de manteiga sem sal

3 ovos

2 g de canela em pó (aproximadamente, meia colher de café)

raspa de limão (mais ou menos meia colher de café)


Preparação

Dissolve-se o fermento na água tépida e junta-se cerca de 200 g de farinha de trigo até se obter uma massa relativamente mole, que se deixa levedar entre 15 minutos a meia hora conforme a temperatura ambiente.
Depois, adiciona-se o açúcar com a canela, o sal, os ovos, a raspa de limão, a manteiga e a farinha.
Deixa-se fermentar o tempo necessário para a massa dobrar de volume. A seguir, pega-se na massa, divide-se ao meio e molda-se cada uma das partes num rolo comprido semelhante a uma serpente, isto é, mais espesso num dos lados.
Espalma-se este rolo com a mão, ficando uma tira que se começa a enrolar pelo lado mais largo, resultando numa pirâmide. À medida que se vão enrolando, vão-se colocando as pirâmides num tabuleiro forrado com um pano polvilhado com farinha onde voltam a crescer (entre 30 minutos e 1 hora).
Pincelam-se com ovo batido e, com uma tesoura, dão-se 4 golpes no topo da pirâmide de que resultarão as "torres do castelo". Introduzem-se as fogaças no forno quente a (200º, o ideal era um forno de lenha), 15 minutos depois, tiram-se para fora, à mão, separam-se as "torres do castelo", permitindo assim que o calor penetre no interior das fogaças, cozendo-as uniformemente.
Voltam ao forno para acabar de cozer.