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Dias de Outono

E os outros também

Dias de Outono

Que mundo bárbaro!

02.11.21 | Maria

 

Falta de mão de obra afeta cadeia de alimentos no mundo todo | Exame

 

Ultimamente muitas notícias sobre a escassez de alimentos e de outras matérias-primas têm vindo a "lume". Entre elas a da China "pedir" às famílias para se precaverem com alimentos/mantimentos  para o inverno. Não sei o que pensam sobre isto, mas a mim deixa-me um pouco angustiada e preocupada.
Desde há dois anos que o mundo em que estávamos habituados a viver parece ter-se desviado da rota; entrado numa realidade paralela ou coisa semelhante. O certo é que diariamente somos confrontados com problemas (que já existiam e ninguém resolve ou quis saber) ameaçando a nossa existência como espécie, mas também, pondo em causa o quotidiano.
Há coisa de uma década talvez, entrámos num vórtice consumista que nos "influencia" quer publicitariamente para comprar, usar e desperdiçar; para voltar a comprar, usar... quer a nível governamental, ninguém parece querer regular isto. Pôr-lhe um travão!
Lembrar-se-ão que no tempo dos nossos pais, para não ir mais atrás, ao dos nossos avós, tudo se reaproveitava ao máximo! O vestuário e calçado dos mais velhos passava para os mais novos, fazendo-se uns reajustamentos, as coisas até funcionavam: E isto estendia-se a tudo que se comprava, estimando-o e poupando-o até não ter préstimo. Mais ao que se evitava adquirir, por simplesmente não haver dinheiro. 
Entretanto, recordo-me de a  minha avó falar do racionamento na guerra e de a minha mãe também recordar-se e relatar-nos, de quando era pequena, haver senhas de racionamento. Ser muito complicado trazer, às vezes, o que se precisava para casa. Como se trocavam bens, por outros e de alguns, serem um luxo não extensível a todos.

Crítica escassez de alimentos para as pessoas que fogem do conflito no  nordeste da Nigéria | Comitê Internacional da Cruz Vermelha



Penso que não caminharemos para lá, mas pergunto-me se não caminhamos — por nossa inteira culpa e, desperdício a que, entretanto fomos habituados e a que "habituámos" os nossos filhos — para um cenário ainda mais sombrio e desigual.  
Actualmente os miúdos têm tudo! Exigem-no como se fosse uma coisa trivial e os pais satisfazem-lhes as vontades, também muito porque satisfazem as próprias, com os últimos modelos de tecnologias; outras coisas (tantas supérfluas) que se tornou hábito possuir e, aos olhos dos outros, uma afirmação de estatuto. 
Infelizmente os países pobres continuam paupérrimos, apesar das cimeiras. Sem infraestruturas de saúde ou saneamento básico. Condenados ao inferno diário, sem uma oportunidade de redenção.
Nós a encher os centros comerciais, a gastar, a açambarcar e a desperdiçar o que outros nunca terão hipótese de conhecer, ou usufruir. 
Que mundo bárbaro, este!
Se, por um acaso muito irónico, regressarmos ao racionamento e à escassez grave, inquieta-me e angustia-me como nos comportaremos para obter o que "nos falta?" Quando o que nos falta realmente é vergonha e bom senso! 

 

 

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